Mesmo relutando, e com toda certeza de que eu NÃO tomaria o remédio, levantei pela manhã (17/12), tomei banho, liguei p/ o meu irmão (sim, ele tem o papel mais importante desta história toda. Felippe, 32 anos, a pessoa mais centrada, inteligente, justo, carinhoso, leal, paciente e com um amor por mim que acho difícil encontrar em outra pessoa. Ele NUNCA desistiu de me ajudar).
Quase que como um ato inconsciente peguei uma sacolinha, coloquei os 3 remédios dentro (LEXAPRO, RIVOTRIL e RITMONEURAM), o único “obrigatório” seria o LEXAPRO. Mas, se eu não ia tomar, e já havia decidido isso, pq peguei os remédios?! No fundo acho que eu sabia pq.
Sai de casa com aquele aperto matinal (a parte da manhã é o pior horário) de costume. Peguei meu irmão na casa dele e fomos para o consultório.
Após ser atendida pela secretária com a mesma simpatia da primeira vez aguardamos por 15 minutos e mais uma vez a porta de madeira mogno se abriu e de lá a mesma figura de 30 dias atrás, com a mesma expressão, com a mesma serenidade e o mesmo sorriso. Mais uma vez me disse: “Bom dia, Rachel. Vamos?!”
Vamos... P/ onde?! Estava entrando qdo me lembrei da sacolinha de remédios. Voltei para apanha-la. Mas... Se eu não ia tomar, pq insistia em levá-la comigo?! Pois é, no fundo eu sabia mesmo.
Comecei a conversar com o Anjo no que falei: “Dr, não consegui tomar o remédio!!!”
E ele, com cara de pesar me perguntou: “Não conseguiu?! Que pena! Pq?! Qual o seu medo?!”
E eu mais uma vez relatei o que ele já havia ouvido há 30 dias. E sabe de uma coisa?! Ele em nenhum momento me interrompeu. Esperou, ouviu, me viu chorar (é, eu sempre choro qdo fico nervosa, e este assunto definitivamente me deixa bastante nervosa), esperou que eu voltasse a me controlar e disse: “Filha, (eu acho que ouvi essa palavra) pq vc não toma agora?! Estou aqui e posso cuidar de vc!” (No fundo era isso o que eu queria. Alguém que pegasse na minha mão e me enfiasse o remédio goela abaixo). E eu me enchi de coragem essa hora. Ele era calmo, e me passava absoluta certeza do que estava falando. Ele sabia o que era melhor para mim, ele tinha certeza daquilo, e me fez acreditar.
Ao meu sinal positivo ele rapidamente pegou o telefone e antes que eu desistisse disse: Lilian (sim, este é o nome da secretária simpática), por favor, traga dois copos com água. No que ela entrou na sala com aqueles copos, minhas pernas começaram a tremer, meu coração disparou, tive falta de ar, senti uma leve tontura, ânsia, dor de estômago, comecei a suar e minha cabeça parecia que tinha eco. Mas o que era aquilo?! Remédio para curar o meu mal ou CIANURETO?! Pq aquela reação?! Naquele momento descobri que era medo do que possivelmente poderia acontecer quase que impossivelmente, entenderam?! Nem eu!!!
Mas alí não dava mais p/ recuar, né?! Sou uma mulher ou um saco de batatas?! Embora minha cabeça ecoava saco de batatas, saco de batatas, saco de batatas, meu coração gritava muito mais alto: MULHER, MULHER, MULHER!!! E como sempre, mais uma vez o amor venceu. E era um amor que eu não havia sentido ainda. O amor à MIM. Aquilo td era tão novo, e eu rapidamente pinguei duas gotinhas do LEXAPRO dentro daquele copo com um dedinho de água e como num impulso mandei para dentro!
Ai começou o meu inferno:
O Dr Danilo ficou me olhando como quem sabia o que estava por vir. E tenho certeza que ele sabia. Em poucos minutos comecei a sentir os efeitos que minha cabeça fantasiava e todos aqueles sintomas de qdo avistei o copo d’agua se acentuaram. Comecei a chorar e disse: “Dr Danilo, estou morrendo”! Ele sorriu e disse: “Não está, confia em mim”. Me levantei, (faço isso qdo estou em crise, levanto e ando de um lado para o outro, incansávelmente, desesperadamente) e ele muito calmo pediu que eu me sentasse em uma poltrona perto da janela, ao lado tinha uma mesinha, com uma planta verde. Mediu minha pressão, ouviu meus batimentos cardíacos e disse: “Vc está bem. Confie em mim. Vc está bem. Não tem NENHUMA deficiência vital”. Aquilo me acalmou, mas por pouco tempo.
Resolvi que queria ir embora e ele disse: “Estarei aqui o dia inteiro. Se vc quiser, pode voltar o qto achar necessário. Mas por favor, não vá para o hospital. Venha aqui! Que eu cuido de vc.” Isso me deixou verdadeiramente mais segura. Remarcamos meu retorno para o dia 10/01 e fui embora!
Entrei no carro e meu irmão deixou que eu fosse dirigindo, ele disse: “Estou com medo, mas confio em vc!”. Fui dirigindo e comecei a me sentir mal de novo. Do consultório até minha casa tive aproximadamente 11 picos de melhora e piora. São apenas 6km! A cada melhora eu agradecia por ter tomado, a cada piora odiava o Dr. Danilo.
Me arrependi amargamente por ter tomado o remédio, e se era para melhorar, pq eu estava pior?! E meu irmão me lembrou que o remédio tem um período de adaptação. No mínimo 15 dias. E que eu tinha que tomar. Levamos a Gaby (York de Fefo) p/ tomar banho e voltamos para casa.
Liguei o computador, precisava trabalhar. Sentei mais calma e comecei a ler os e-mails. Estava me sentindo bem, mas num pulo, subitamente senti uma “demência”, uma dificuldade motora estranha, achei que não conseguia falar direito, ouvia minha vóz distorcida, meu coração disparou, falta de ar, minha mão começou a formigar e retrair. Era horrivel, eu tinha certeza que estava morrendo. Chamei meu irmão que me levou para fora de casa e começamos a andar. Mas como andar se meu corpo não respondia o que minha cabeça mandava. Eu não conseguia trocar os passos. Olha o que a cabeça pode fazer com o nosso corpo...
E a todo minuto ele parava, me abraçava apertado e perguntava o que eu sentia. Pedi que ele me levasse para o hospital pq eu não estava respirando. Não conseguia andar e ele foi me apoiando, cai, ele me levantou e disse que não havia nada acontecendo comigo, que eu precisava enfrentar meu MONSTRO de frente e que eu era mais forte que ele. Isso se passou por toda a tarde, toda!
Em meio a muitos passeios, muitos abraços, muitos pedidos de “me leva para o hospital”, muito choro, desespero, tristeza, pensamentos HORRIVEIS e aquele termo já conhecido: Sensação de Morte Eminente, o Fefo não sucumbiu um só minuto, nem perdeu a paciência, nem fez qquer sinal de que estava prestes a perder, e tbém não cedeu aos meus pedidos de hospital. Qdo fomos buscar a Gaby (ela estava tomando banho no Pet Shop, lembra?!) foi o pior momento, tive sensação de desmaio, os sintomas todos acentuaram muito, muito, muito, eu jurei que nunca mais tomaria o remédio e de repente... PASSOU!
Passou, de verdade, acabou!!!
Senti uma sensação de tranquilidade, parecia que eu respirava com facilidade (coisa que não acontecia a muito tempo), meu coração batia tranquilamente, a Gaby entrou no carro e eu a peguei no colo e parecia que ela estava mais feliz que eu... Me deu um beijo/lambida no rosto e ficou quietinha no meu colo. É, acho que ela entendeu...
Depois disso minha noite se passou tranquilamente, e recebi a ligação da minha amigona Vanessa, me convidando para ir para Itapira com ela no Domingo. Será que já era hora de eu tentar “viajar”?! Mas a vida tem dessas coisas, quem sabe Deus providenciou a viagem curta p/ eu começar a enfrentar o medo de viajar?! Não confirmei na hr, mas passei a pensar com muuuito carinho, eu queria bater de frente com todos os meus MONSTROS, meu irmão disse que era isso que eu tinha que fazer, e eu estava decidida a tentar... E conseguir!
PS: Mais uma vez não cumpri a promessa de fazer um post curto... Fazer o que?!
Obrigado mesmo assim!
Olá Rachel
ResponderExcluirPassei por muitas coisas também. Nem sei como descobri seu blog e por incrível que pareça tivemos o mesmo anjo.Para mim, ele era o por do sol mais sereno. Na verdade, eu me sentia na contramão do por do sol(esse é o momento que mais aprecio no dia)é quando consigo avaliar e refletir, e o seu anjo se tornou assim meu por do sol.
Como você está hoje? Um abraço, Pro Dinha